QUEM SOMOS?

A OMCV – Organização das Mulheres de Cabo Verde é uma organização não-governamental, criada a 27 de Março de 1991, de carácter social dotada de personalidade jurídica e de autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

VISÃO E MISSÃO

A OMCV tem como Visão o bem-estar social, económico e cultural da mulher, das famílias e da sociedade cabo-verdiana no geral, através da defesa e promoção dos direitos da mulher integrado numa perspetival de género.

ÁREAS DE INTERVENÇÃO

  • Saúde
  • Saúde Sexual e Reprodutiva
  • Direitos da Mulher
  • Formação e Capacitação Profissional
  • Assessoria Jurídica
  • Educação Pré-escolar
  • Novas Tecnologias de Informação e Comunicação
  • Microcrédito
  • Actividades Geradoras de Rendimento, Género, População e Desenvolvimento
  • Empreendedorismo Feminino
  • Emigração e Remessas
  • Artesanato
  • Ambiente
  • Outros

HISTORIAL

Primeira organização feminina do país, a Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV)  viu a luz do dia há 35 anos,  quando  mulheres oriundas de todos os cantos do país decidiram em Conferência Nacional que era tempo e hora de se organizarem e de darem  o seu contributo à luta pela  dignificação e promoção da camada feminina.

Criada em 1981, a OMCV nem sempre  seu percurso  foi linear.  Uma análise ainda que empírica da sua trajectória  indicia a existência de  três etapas distintas desde a sua fundação até o presente.

Na sua primeira etapa a organização fazia parte do sistema político de então que tinha nas organizações de massas do Partido no Poder,  um dos seus pilares fundamentais.   Financeiramente apoiada pelos Governos da época, ela tinha como missão, conforme rezavam os  Estatutos da época ,  a defesa dos interesses específicos da mulher cabo-verdiana  pela edificação de uma Pátria de progresso e justiça social, liberta da exploração do homem pelo homem.    Nesse documento podia ler-se, também, que eram seus objectivos a completa emancipação da mulher cabo-verdiana e a sua plena inserção no processo de desenvolvimento económico, social e cultural do país.

A missão era, como se pode verificar bastante abrangente e, sem dúvida, ultrapassava em muito o que, geralmente, competia e compete, a uma organização social dessa natureza. A explicação era simples: o Governo da época não contemplava na sua estrutura, qualquer instrumento público que se ocupasse de questões ditas “ femininas”. As prioridades dos primeiros Governos do país centravam-se mais no desenvolvimento global e menos em interesses específicos deste ou daquele grupo social.

Assim, a OMCV foi assumindo gradualmente tarefas de certa complexidade, mas que visavam em última a promoção da mulher cabo-verdiana, já que esta, à data da independência se encontrava  numa situação de manifestava subalternidade e de  atraso  consequência, em grande parte, do sistema colonial e das suas leis retrógradas e discriminatórias.

Nas décadas de oitenta e noventa, a OMCV, não obstante a sua condição de Organização de Massas, funcionaria, também, como um mecanismo de pressão alertando os sucessivos Governos para os problemas específicos da camada feminina, e implementando projectos e programas sociais com grande sucesso. Os casos mais paradigmáticos são sem dúvida os ligados à criação das bases para a institucionalização do Programa do Planeamento Materno-infantil e as campanhas de alfabetização, para só mencionar alguns.

Para além das acções referidas, contam no activo da Organização da época, campanhas de sensibilização e conscientização dos direitos da mulher, do seu papel na sociedade e no desenvolvimento do país, actividades geradoras de rendimento, criação e gestão de jardins infantis.

Além disso possuía um património invejável, os chamados Centros de Promoção Feminina que estavam localizados em quase todo o país, designadamente em S.Vicente, S.Nicolau, Porto Novo, Ribeira Grande, Brava, Tarrafal, Santa Cruz, Santa Catarina,  Boa Vista os quais, juntamente com a Sede  Nacional na Praia, constituíam   espaços de  concentração de mulheres  em busca de apoio para os seus problemas. Por esses Centros passavam milhares de mulheres que neles desenvolviam actividades várias, desde as de lazer até os  cursos de formação pessoal e profissional.

Ao lado dos Centros de Promoção Feminina, a Organização dispunha, igualmente, de um número significativo de jardins infantis que albergavam crianças em idade pré escolar. A actividade com as crianças faziam em instalações próprias , localizadas em mas também, de espaços alugados.

Para qualquer observador  insuspeito, a Organização das Mulheres foi  pelo seu papel no desenvolvimento do país na década de oitenta,  parte inegável da história recente destas ilhas.

A segunda etapa da Organização coincide com a  abertura ao multipartidarismo, em 1990. Durante esta etapa, a OMCV procura  estruturar-se  e   adaptar-se   ao novo  contexto político baptizado de II República. Convoca os seus órgão de direcção para a aprovação de novos Estatutos à luz da recém criada Lei das Associações ao mesmo que se prepara para ocupar e consolidar o seu espaço de intervenção na sociedade, ao lado de novas associações emergentes, algumas com o mesmos objectivos.

Nos anos noventa os desafios foram complexos e delicados. Havia um conjunto de profissionais da OMCV a serem re-enquadrados, despesas de funcionamento a serem amortizados e actividades a serem financiados. A procura de meios para a  sobrevivência financeira da Organização constituiria por largos anos uma das principais preocupações das suas dirigentes.  Uma outra preocupação tinha a ver com a consolidação do seu património   muitas vezes   em risco de se perder por falta ou desconhecimento de registos.

Na actualidade, a OMCV tem continuado a privilegiar actividades de promoção da mulher, designadamente as que se inscrevem no âmbito da orientação e inserção profissional, do reforço do programa de micro-crédito, da luta contra a violência baseada no género, do programa de luta contra o VIH/SIDA, da coordenação de jardins de infância, habitação social,  e apoio à terceira idade, etc.

Apesar de um reduzido staff e de constrangimentos de vária ordem, designadamente de ordem financeira, a Organização procurou adaptar-se  ao novo contexto socioeconómico e político actual  reforçando a sua capacidade de negociação  junto dos parceiros nacionais e internacionais de novos projectos para responder às necessidades e problemas específicos da camada feminina, sobretudo da  mais desprotegida.